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Segunda-feira, Maio 14, 2007 :::
Ausência, palavra cortante.
Corta a carne e alma amante
Rasga a bolsa das lagrimas
É triste quando é de pessoas amadas
Ausência, palavra vazia.
Tão repleta de significados
Que pos si só se faz poesia
Nos peitos de corações machucados
Ausentes, sempre amados.
Sempre presentes nas lembranças
Nas lembranças dos deixados
Que enfiam no corpo lanças
Matem olhos inchados
E o coração em batidas mansas.
Viva a morte a ausência.
::: posted by CAIO DORNELAS at 1:38 AM
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Não sei por que insisto em escrever. Já tenho como certeza que os sentimentos não podem ser descritos na sua totalidade nas letras e este era meu único norte. Poder emocionar e mostrar emoções através das letras.
A crise chegou quando na casa de um vizinho um som alto tocava brega da década de 60 ou 70. Junto aos mais velhos, escutava atentamente comentários sobre o tempo em que as mais grandiosas festas perdiam a atenção diante de uma noite no cabaré embaladas por tais músicas. Ali, naquele momento, percebi uma emoção tão clara, pura e forte como nunca tinha percebido. O mais puro sentimento de saudosismo. Os horizontes dos senhores não tinham mais que 10 metros mas sei que, naquele momento, eles podiam ver a kilometros e em décadas assadas. Havia, ainda ali, nos olhares, algo que não posso descrever com palavras, falar que havia um brilho especial, ou único não seriam expressões dignas para o momento. Sei que podiam construir totalmente ambientes de 40anos passados, contestei ali a capacidade que cada um dos três senhores tinham de sentir os perfumes baratos, porém inesquecíveis de suas amantes e de sentir as mulheres fáceis e ainda sim atraentes.
E foi com essas sensações que me certifiquei que escrever com o objetivo que escrevo é inútil. Não escrevei nenhuma letra à mais.
Obrigado!
::: posted by CAIO DORNELAS at 12:46 AM
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Domingo, Maio 13, 2007 :::
SANGUE NA LUA
Caianas como organismo pulsante
Estradas rubras como artérias.
Ao olhar, harmonia deslumbrante,
Há movimentos suaves de folhas
Iguais a músicos e cantantes
Sob a batuta do vento.
Caianas como organismo pulsante
Estradas rubras como artérias.
Ao entrar, tudo mais interessante,
Nas artérias me afogo em sangue
Humano de outros cortantes
Da cana caiana
Lá, dentro das canas,
Não sei quem fui
Meu fim ou início não importa
Fui cana, terra e sangue.
Fui anjo ensangüentado
Capaz de voar até a lua e lá
E suja-la com respingos
São Jorge?
Não! Protesto sanguíneo.
Sujei a lua para limpar
Almas ticuqueiras.
::: posted by CAIO DORNELAS at 3:43 PM
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