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Quinta-feira, Março 29, 2007 :::
Você parada me paralisa.
Na foto se move com delicadeza.
Na foto me encanta com firmeza.
Imagens que vão além da visão.
Perfumes, pele, voz no ouvido.
Mais quem uma foto.
Mais que uma imagem.
Uma presença sempre ausente.
::: posted by CAIO DORNELAS at 2:09 AM
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Quarta-feira, Março 28, 2007 :::
Um poço de sentimentos.
438ml de saudades.
Algumas garrafas de solidão.
Um vaso sanítario de dúvida.
Duas descargas de respostas.
Seringa usada de experiências.
Lenço úmido de lagrimas.
Quem sou?
Sou a foz.
Sou fim.
::: posted by CAIO DORNELAS at 11:25 PM
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Avaliar termos incorretos!
::: posted by CAIO DORNELAS at 12:41 PM
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Segunda-feira, Março 26, 2007 :::
Naturalmente tudo muda
Na normalidade tudo muda
Nada permanece estático
A progressão é um caminho
Como a regressão.
Assim, toda existência está em constante movimento.
As relações humanas movem os a história no trilhos.
Os homens movem sua história.
O permanecer estático, parado e sedentário
Significa parar a história dos homens e das vidas.
Não sou deus muito menos cristão
E não me vejo com o poder de parar a história e
Nem tanto, enquanto um só ser, acelera-la.
Mas certo dia, num momento de inconsciência, constatei que:
Há, ao menos em mim, um sentimento único,
Algo tão insensato que não se subi mete a regras
E pode permanecer inerte e mórbido.
E assim parar o movimento das vidas
Da história.
E por vezes as batidas de um coração.
::: posted by CAIO DORNELAS at 12:36 PM
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Domingo, Março 18, 2007 :::
Ruas, faróis e ruídos.
Duas faixas amarelas,
Um continua.
Outra não.
Como duas bromélias,
Na sequidão do asfalto,
Caminha um ao lado do outro.
São eles, dois cachorros.
Impressiona-me o caminhar
Cheio de ginga urbana
Exalando malandragem.
Suas expressões são estupidamente humanas.
Pobres animais humanizados.
Um dia todo de trabalho.
Latas e latas viradas,
Avenidas atravessadas e
Lutas travadas.
Nas mesmas expressões humanas e cansadas
Vejo uns traços de cumplicidade e companheirismo
Que justifica a vida animal.
Depois de contemplar o atravessar
Indaguei-me, viver só é normal?
::: posted by CAIO DORNELAS at 11:35 PM
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No meu lugar, a cada dez pessoas com quem cruzo digo no mínimo nove ¿oi¿.
No lugar onde vivo a cada cem pessoas com quem cruzo noventa tenho medo.
Noventa são meus medos.
Tenho medo do medo que dá.
Medo de atravessar antes de o sinal do sinal fechar.
Medo de pedir e levar não.
Medo de me matar em vão.
Tenho até medo de ser comum.
É o medo de ser só mais um.
Medo de errar no acerto.
Medo de acertar no erro.
Medo de não ter cúmplice na cidade
E assim, ficar sem cumplicidade.
Medo que minha voz desafine.
Que confundam meu medo com o de Lenine.
Medo de amar e não ser amado.
E mais uma vez sair definhado.
Tenho medo de me olhar.
Tenho medo do que vou ver.
::: posted by CAIO DORNELAS at 2:55 PM
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Às vezes me preocupo com o tempo em que nada escrevo.
Sei que não é falta de estímulos ou vontade e que não devo preocupar-me.
Sei que escrever, no meu caso, é uma ação natural e não é preciso estimular estímulos.
Penso que o que me estimula a escrever são os sentimentos e esses eu tenho.
Então, mais uma vez entro em contradição, não sei definir sentimento.
O que vem a ser sentimento?
É o que sente na pele?
Na alma?
Não sei o que é sentimento.
Sabe quando a garganta se torna o órgão que controla os olhos?
Que situação é essa?
Isto é sentimento?
Pra sentir um sentimento tem que ser sensível?
Uma vez ouvi um vira-lata falar para seu amigo:
o sentimento que guardo pra você é o mais nobre possível.
Um cachorro pode ser sensível?
São muitas dúvidas que cercam minha consciência.
Sou sensível, sentimento ou cachorro?
::: posted by CAIO DORNELAS at 1:45 AM
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Quinta-feira, Março 01, 2007 :::
A realidade surreal
me atrai como cotidiano.
O bem viver
se concretiza
destante do concreto
estúpido e abusivo.
A estupidez do concreto
abusa do meu cotidiano real.
Salve a concretização do surreal.
::: posted by CAIO DORNELAS at 10:48 AM
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